24 fevereiro 2013

13 de janeiro

Estes dias estava lendo a revista TPM, uma edição sobre como a vida é perfeita nas redes sociais. Ontem mesmo saí com a Vavá que tocou no assunto. 

Eu levo uma semana querendo escrever este post, sem saber nem como, nem por onde começar, simplesmente porque sempre (ou quase sempre) escrevo sobre momentos alegres e bonitos da vida, talvez inspirada pelas letras de uma música popular (acho que do Caetano) que diz que tristeza não dá ibope, ou seja, todos já temos problemas demais para eu expor ou falar dos meus aqui.

Mas eu vi tantos blogs bonitos sobre temas tristes, onde as pessoas expõem seu ponto de vista, compartilham experiências de vida, e decidi seguir meu coração e registrar o que sinto, já que foi um momento importante demais para simplesmente virar a página e esquecer.

No dia 13 de janeiro senti aquela felicidade imensa, novamente. A felicidade de saber que estava grávida, do nosso segundo bebê, o tão esperado irmãozinho/a do nosso little man. Foram 9 semanas de alegria, com alguns altos e baixos, já que com uma criança em casa e um trabalho super estressante (muitas viagens e compromissos), plus uma virose horrível que eu tive na semana 4 - notei que essa gravidez tinha chegado na hora certa mas também percebi que, com a nova vida que levamos, trairia novos e diferentes desafios.

Confesso que, desde o início, sentia uma grande diferença da minha primeira gravidez. Não tive nada de enjôos, nada de aversão a cheiros e comidas, mas sentia muito cansaço e a barriga muito inchada, bem maior que o normal para a semana em que estava.

Foi na sexta-feira, dia 15 de fevereiro, quase completando 9 semanas, que comecei a sangrar. Dois dias antes tive muita dor de cabeça, e um pouco de febre. Fui ao médico, o meu pequeno grãozinho estava ali, tudo bem, tinha crescido - recomendação: repouso absoluto. As próximas 48 horas foram de muita ansiedade e tristeza. Fiquei na cama, só levantava para ir ao banheiro (muitas vezes!), e a cada ida constatava que, ao invés de melhorar, meus sangramentos pioravam.

Não sei explicar, mas eu sentia que alguma coisa ia mal. Naquele dia li muitos relatos de outras mulheres que passaram pela mesma experiência, umas com final feliz, outras não. Foram horas de enorme tristeza, e angústia, de saber que naquele momento eu não podia fazer nada, simplesmente relaxar e deixar a natureza seguir seu curso.

Sempre respeitei a natureza, sua força, mas nunca tinha 'enfrentado' essa força tão de frente. Sim, talvez no parto do Max, mas foi tudo tão tranquilo e tudo fluía, que posso dizer que no dia 15 de fevereiro, eu senti como somos pequenos perto desta senhora quando ela decide mudar o curso das coisas.

Dormi, sem me mexer, rezando para o dia seguinte ser melhor, e para aquela agonia acabar. Quando acordei, fui ao banheiro, e o que eu mais temia aconteceu - ali, sozinha, em poucos segundos, perdi minha tão sonhada gravidez. 

Fomos ao médico, e ele confirmou - aborto espontâneo completo.

Nós não tínhamos contado da gravidez para quase ninguém, esperando nossa viagem ao Brasil na semana que vem. Mas, do aborto, inexplicavelmente senti uma necessidade imensa de compartilhar com as pessoas que amo, e com as pessoas que fazem parte do meu dia a dia. Talvez por necessidade de aliviar a carga, porque contar faz parte da cicatrização, ou simplesmente porque assim elas entendem que estou feito um tatu-bola, de luto, assimilando o que aconteceu no meio de um turbilhão hormonal.

Foram somente 9 semanas, mas de imensa alegria! A vida continua, sem este filho ou filha, sem esta sementinha que não teve como germinar e crescer, mas que durante 9 semanas nos fez muito, mas muito feliz. E isso eu queria muito deixar registrado aqui.

4 comentários:

Raquel R. Mohtadi disse...

Vane querida! Achei muito apropriado vc compartilhar sua dor, até mesmo em respeito à sementinha que fez parte da sua vida com o Rémi este tempo e, também com aqueles em quem vc confiou compartilhar. Filha amada, a dor faz parte de nossa vida, este seu sentimento demonstra o quanto você é boa mãe, o quanto você tem de sentimento e respeito em meio à esta humanidade que está cada dia mais insensível. Não vejo a hora que vocês cheguem, para poder te dar um carinho de mãe, que você precisou tanto estando longe e sozinha. A distância nos deixa tão sofridos que tentamos passar por palavras, através do telefone, e outros meios, mas todos são tão insignificantes, perante o poder da energia das mãos, do abraço, unindo os corações, do olhar verdadeiro que divide sentimentos, emoções, felicidade e dor. Tenha coragem, querida, pelos que estão aqui e te amam. A Mãe Natureza é sábia, confie e agradeça por você ter tido a ajuda no momento certo, sem maiores consequências e, sua sementinha estar descansando em paz.
Da Mãe, avó que tanto ama vocês!!!

Momento Hengs disse...

Ne... a natureza vai te trazer um irmãozinho ou irmãzinha para o Maxito, little man ... Nào se preocupe, tdo tem um porque e sempre o melhor acaba acontecendo... te amamos e estamos na torcida, sempre aqui por você, ok? Beijos irmã... contando os diasssssssss!!!

Joice disse...

Vanessa
Sinta se abraçada!
Beijos
Joice

Vanessa Ribeiro disse...

Pronto, chorei! Muito lindo todo esse carinho, estou superando pouco a pouco, cada dia que passa. Agora é bola pra frente e tentar de novo né? beijos e muito obrigada por estarem sempre ao meu lado!!!!

♥♥♥

Vane

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