19 fevereiro 2011

Blogagem coletiva: licença maternidade na Espanha

Este texto de hoje faz parte de uma blogagem coletiva entre mães brasileiras residentes em diversos países. Cada uma de nós descreve sua relação com a licença maternidade no seu país de residência. Você pode conferir os links de cada uma no final do post.

Como funciona aqui na Espanha
Na União Européia (UE) o período de licença maternidade varia muito de um país ao outro. Na Suécia, por exemplo, é de 96 semanas, enquanto na Irlanda pode chegar a 26 semanas. Na Espanha o período de licença maternidade é de 16 semanas, quase o mínimo exigido pela UE, que é de 14. 

Na Espanha, a futura mamãe é quem decide como deseja distribuir sua licença maternidade, sendo obrigatório o descanso durante as seis semanas imediatamente posteriores ao parto. Ou seja, durante estas primeiras semanas a mamãe não pode desfrutar da licença maternidade por meio período, já que por lei é considerado um descanso obrigatório.

Depois de terminadas as 16 semanas, a mulher que retorna ao trabalho tem direito à uma hora ao dia de licença para amamentar o bebê (uma miséria, né?). O legal é que esta hora diária pode ser acumulada e utilizada como 15 dias adicionais de licença maternidade, totalizando assim 16 semanas mais 15 dias consecutivos.

Na Espanha, a mulher pode trabalhar até o momento do parto e a licença começa a contar a partir deste momento. Outras preferem parar de trabalhar uma ou duas semanas antes da data prevista do parto, mas muitas preferem trabalhar até o último dia para depoispoderem ficar com o bebê mais tempo.

Outro direito das mamães na Espanha é o da redução da jornada de trabalho para cuidar dos filhos menores de oito anos. O mínimo permitido é de 30% de redução até um máximo de 85% da jornada. Claro que o salário também é reduzido proporcionalmente.

Em outubro de 2010 o parlamento europeu aprovou a ampliação da licença maternidade para 20 semanas. Essa decisão causou muita polêmica entre os deputados e países. Outra mudança que tem dado muito que falar na Espanha é a possível ampliação da licença paternidade dos atuais 13 dias (consecutivos) para quatro semanas a partir de 2012.  

É claro que a lei possui muitas variações dependendo da situação familiar e laboral da futura mamãe e futuro papai (número de filhos, estado civil, assalariado, autônomo, desempregado, trabalhando, etc.) Se quiserem informação mais completa sobre o assunto, sugiro que visitem este link (em espanhol) ou a página da seguridad social.

Minha experiência pessoal
Lá na agência somos 25 pessoas, das quais três somos mamães e somente um é papai. Eu trabalhei até a semana 34 de gravidez e como me sentia muito cansada fui ao médico e ele me deu licença (que é remunerada quando o médico considera que você deve parar de trabalhar e descansar).
                                                                                                                                                                
Foi ideal, já que pude cuidar dos últimos preparativos, comprar coisas que faltavam, arrumar o quarto do bebê, preparar-me psicologicamente para o parto, curtir o barrigão e o mais importante de tudo, descansar muito.

Minha licença maternidade começou oficialmente no dia do parto e durou 16 semanas. Eu conversei com o RH da empresa e pedi 15 dias de aleitamento materno e mais uma semana de férias. Ou seja, no total foram quase cinco meses de descanso. Quando voltei a trabalhar era agosto. Como aqui na agência, durante os meses de verão, trabalhamos das 9 às 15, pude voltar à rotina gradualmente. Tive três semanas para me adaptar e deixar de amamentar aos poucos, nosso little man .

Meu marido teve 13 dias de licença paternidade, mas não recebeu 100% do salário já que ele trabalha como autônomo. O legal foi que como o Rémi trabalha em casa, curtimos minha licença juntos e aproveitamos muito estes dias em família.

Já cheguei a pensar em reduzir minha jornada de trabalho, mas por enquanto estamos conseguindo conciliar trabalho e vida familiar, então decidi continuar trabalhando período integral, principalmente porque nossos gastos aumentaram em uns 30% ao mês.

E para terminar, encontrei este vídeo da revista The Economist, com infografías super legais sobre a mulher e o mercado de trabalho em 113 países ao redor do mundo. O vídeo mostra dados interessantes, com gráficos bem atuais que ilustram a situação da licença maternidade nestes países.

Enjoy it e aproveitem para conhecer a realidade de outras mamães internacionais acessando os links abaixo.



Argentina - Carol: http://carolesuasbabybobeiras.blogspot.com/

Canadá - Ana Paula: http://www.coloridavida.com/

Estados Unidos - Paula: http://nywithkids.blogspot.com/

França- Carine: http://carrego-no-pano.com/

Holanda - Ingrid: http://familyaround.wordpress.com/

Inglaterra - Carol P: http://motherlovedatabase.blogspot.com/

Irlanda - Karine: http://www.kaentrenos.net/

Inglaterra - Claudia: http://filhos-bilingues.blogspot.com/

Irlanda - Nivea: http://www.niveasorensen.com/

Itália - Daniela: http://mamaesnaitalia.com/

Itália - Joice: http://www.avidadagravida.blogspot.com/

Mónaco - Roberta: http://betinhazinha.com/

Suiça - Carla: Who'd say? - http://whodsay.blogspot.com/

15 comentários:

Carla disse...

Olá Vanessa, tudo bom?
Moro na Suíça e também estou participando da blogagem coletiva. Talvez você tenha confundido os dados sobre a licença maternidade/paternidade aqui da Suíça com algum outro país, porque não tenho notícia de nada parecido por aqui.
Beijos,
Carla

familyaround disse...

Oi Vanessa...esta sendo super legal participar desse projeto da Daniela e ter tantas maes dividingo experiencias e informacoes!!
Voltarei mais vezes!

beijocas

Vanessa Ribeiro disse...

Oi Carla,

Deixa eu ler o teu e corrigir meu post. Eu encontrei esta informaçao no post do Emilio Marquez, um blogueiro super conhecido na Espanha. Vou avisar ele também.

Obrigada pela dica!

Vanessa

Carla disse...

Pois é, quem dera você estivesse certa! Acho que esse é o caso dos países escandinavos, então talvez ele tenha feito confusão entre Suíça e Suécia hehe
Beijos

Vanessa Ribeiro disse...

Sabe que também pensei nisso ;-)

Estou adorando ler os outros posts!!!! Tao bom ver como outras mamaes brasileiras vivem e cuidam dos seus filhos pelo mundo.

Beijocas
Van

Mãe de Duas disse...

Vanessa, você traz boas informações de outros cantos do mundo! Seria legal se aqui no Brasil a gente conseguisse adaptar algumas práticas de outros paises.
Nem tanto em relação à licença maternidade, que agora com 6 meses está ficando bom mas sempre pode melhorar, mas batalho pela flexibilização no horário de trabalho.

Aqui, vc deve saber, é muito difícil encontrar um emprego meio período. Ou entra as 8hs e chega em casa sabe-se lá que horas (ainda mais com o transito das cidades grandes) ou fica em casa full time.

Sonho com um trabalho legal, com horários flexíveis e renda decente. Será que é pedir demais?

Bjs

Priscilla

Nivea Sorensen disse...

Oi Van,
Acho que a parte legal e escolher quando iniciar a licenca. Eu fiquei sabendo so essa semana que preciso parar de trabalhar 2 semanas antes da data do parto e se pudesse adiaria esse periodo para curtir mais tempo com o bebe em casa.
Um beijo,
N.

La Franglaise disse...

Oi Vane, que legal esta iniciativa de blogagem coletiva! E muito interessante saber como funciona a lincenca maternidade em cada pais. Agora, acho que tem confusão com os dados franceses.

Aqui em França tambem temos 16 semanas em total, só que a data de início da licença começa 6 semanas antes do parto. O que é muito, né. Portanto há uns anos (em 2009 acho) o governo modificou estas regras e agora podemos continuar a trabalhar até 3 semanas antes do parto. Assim podemos ter 3 semanas adicionais depois do bebê nascer.

Eu, por exemplo, queria fazer isto mas como tive riscos de o bebê nascer muito cedo, meu médico me fez uma prescricao parar de trabalhar 2 semanas antes do começo da minha licença portanto eu fui obrigada a tomar as 6 semanas antes. Ai, só tive 10 semanas de licença depois do parto, então para poder ficar mais tempo com meu filho tive que tirar 6 semanas de férias (guardei muitos dias de ferias de 2009). Francamente, nao vejo como eu poderia ter deixado um bebê de só dois meses em casa. Achei esse tempo de 10 semanas muito inviável.

JOI disse...

Vanessa
Estou adorando toda essa informação! Legal que a gente troca essas figurinhas e acaba conhecendo várias mamíferas e suas vivências!
Um fofo o teu filhotinho!
Bjs
Joice

Carol P disse...

Vanessa,
Nao lembrava como era na Espanha, na epoca uma colega estava gravida, mas sabe como eh a gente nao da bola. Legal sbaer me detalhes.
bj
Carol P
http://motherlovedatabase.blogspot.com

Ana Paula - Journal de Béatrice disse...

Ola Vanessa!
Tb participo da blogagem coletiva e falo um pouquinho sobre isso aqui na França.
Muito legal vc ter a experiência pessoal para compartilhar conosco. E o tempo de licença para a amamentar é sensacional.
So acrescento uma coisa... O parlamento europeu, em dezembro de 2010 rejeitou (infelizmente!) a proposta de elastecimento da licença maternidade para os paises membros... QUem sabe numa proxima proposta, pois ha defensores ferrenhos do tema!
Beijos!

Vanessa Ribeiro disse...

Oi Ana Paula,

Puxa, nao sabia e fiquei muito triste com a notícia!!! Estávamos todos super animados com a idéia aqui na Espanha.

Oi Carrie,

Eu me confundi nas semanas (rsrs) já que seria impossível mesmo sair na semana 36 e continuar tendo somente 4 semanas depois do parto hahaha. Doida eu, mas matemática nunca foi meu forte.

Beijos meninas

Van

Dani disse...

Vanessa, muito legal saber como funciona na Espanha. Gostei da ideia de poder diminuir a carga horaria de trabalho, é uma otima alternativa pra quem pode e quer passar mais tempo com o filho.

bjo!

Carine disse...

Ola Vanessa, puxa mais um pais com cara de França:( . Ainda bem que vc conseguiu tirar 5 meses para curtir bem little man e junto com o pai, super! beijos
Carine S.

Beta disse...

Oi Vanessa!

Também adoraria reduzir a carga horaria, estava ateh pensando nisso hoje... Mas na empresa onde ue trabalho isso he simplesmente impensavel. Uma pena..

Beijinho!

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