06 janeiro 2011

Working Mom Tasla (Tuxa) La Pastina Worth


Tasla (Tuxa) Carpanezzi La Pastina Worth, 36 anos, é product marketing manager e trabalha para a Yahoo há 11 anos. A Tuxa nasceu em Curitiba mas mora com a família em Sydney (Australia), é mãe da Sabrina, de 2 anos e 8 meses.

Tuxa e eu, nos conhecemos faz exatamente 21 anos (que loucura!). Estudamos juntas no Dom Bosco, passamos vários carnavais em Caiobá, curtimos muitas festas na casa da tia Heloísa (Lulis e Lela), tivemos nossos momentos Deee-Lite com o Fábio e o Nuno (Amnésia total) e voltávamos de carona com o pai da Bá com direito a final de festa na piscina da casa da Tuxa no São Lourenço. Hoje, depois do mundo dar muitas voltas, somos mães e vivemos vidas muito parecidas em lugares bem distantes. Fico muito feliz da Tuxa ter aceitado participar do primeiro Working Mom de 2011...

Um dia normal na tua vida...
Desde que me tornei mãe não uso mais o despertador. Acordo geralmente às 7 horas com um gritinho vindo do quarto ao lado: “Mummy”; coloco a Sabrina pra assistir desenho e vou fazer o café e a mamadeira dela. Me preparo para ir ao trabalho, arrumo a Sabrina pra ir ao daycare  onde, com meu marido, a deixamos às 8:40. Em seguida, ele me deixa no trabalho às 9. Sabrina vai ao daycare 4 dias na semana.  

Às 17:00h tudo recomeça. Meu marido busca Sabrina na escolinha e depois me pega no trabalho. Chegamos em casa, fazemos o jantar e comemos todos juntos. Brincamos um pouco, depois é hora do banho, escovar os dentes, pijama, mamadeira da noite e a historinha antes de dormir. A Sabrina agora só dorme se pegar no meu cabelo, então sempre tem que ser a mamãe contando historinha... às 21:30 ela cai no sono na minha cama e depois a coloco  na sua cama. Começa meu terceiro turno... arrumo a cozinha, preparo algo pra levar de almoço para o trabalho no dia seguinte (aqui nao existe ticket refeição!!!). Deito depois das 22:00. Leio algumas páginas do meu livro e capoto.

Trabalhar e ser mãe é compatível?
Sim, mas há diferenças. Trabalhar full-time no Brasil onde se tem empregada/faxineira, babá, parentes na mesma cidade – é uma coisa. Trabalhar full-time morando fora do seu país é um outro desafio, completamente diferente. Eu trabalho 4 dias e meio por semana e não me imagino trabalhando 5 dias full. O meu meio dia off me proporciona um tempo só com a Sabrina e isso me dá uma lucidez incrível. Aqui na Australia, de todas as minhas amigas que são mães, apenas eu e uma outra brasileira trabalhamos mais de 4 dias. TODAS as outras, ou não trabalham at all, ou trabalham apenas 3, no máximo 4 dias por semana. Este é o padrão daqui. Sou excessão da excessão, ainda mais por não ter familia por perto para dar uma ajuda. Em muitos casos, é o pai quem fica com a criança em casa até ela crescer e ter idade para ir à escola, aos 5 anos.

Alguma vez deixar de trabalhar foi uma opção?
Não. Nunca foi opção no meu caso porque meu marido é autônomo e está construindo o negócio dele ainda. Ele era autônomo no Brasil mas tinha uma clientela sólida, construída ao longo de 12 anos de trabalho. Largamos tudo pra começar aqui do zero. Ele abriu um escritorio em abril e está crescendo. Ou seja, dependemos bastante do meu salário fixo para pagar a maioria das contas. Com o negócio dele mais estabelecido, pretendo parar de trabalhar um ou dois dias inteiros pra poder me dedidar mais à Sabrina e à casa. Tenho também o sonho de um dia poder trabalhar no studio de design e web development dele, construindo algo genuinamente nosso. 

Acho super importante conciliar maternidade com profissão e atingir esse equilibrio é meu maior objetivo. Por mais que eu ame ser mãe mais do que tudo, eu adoro usar minha cabeça também para outras coisas. Não poderia ser uma full-time stay at home mum, acho que enlouqueceria… Nunca me senti culpada por ter de voltar a trabalhar. Voltei ao trabalho quando ela estava para completar 5 meses. Por sorte, meu marido tinha um home office na época e conseguiu conciliar os cuidados com ela e o trabalho em casa.

Qual o segredo para conseguir fazer tudo (ou quase tudo) que tem que fazer?
Não sei ainda. Como dizia a  na última entrevista - se você descobrir você me conta! Estou brincando. Na minha opinião o segredo é muito simples: estabeleça metas possíveis de serem atingidas. Tenha expectativas realistas sobre o que você consegue ou não fazer. Por exemplo: eu desisti de ter uma casa inteira arrumada. Ela está sempre limpa, lógico, mas mantê-la em ordem com uma criança de 2 anos e 8 meses em casa é outra história. Por exemplo, no dia em que eu cozinho um belo jantar, dou-me por satisfeita em conseguir limpar a cozinha inteira depois. Neste dia, a sala está coberta de brinquedos no chão, o cesto de roupas sujas na área de serviço está transbordando e no meu quarto, duas cestas enormes de roupas para dobrar descansam em paz. É como aquele livro de poesias da Cecília Meireles 'Ou Isto, Ou Aquilo'.

Falo com convicção agora mas, demorei muito tempo para compreender e aceitar isso. Também aceitei o fato de que não tenho como frequentar academia nesse momento ou pensar em estudar um MBA ou mudar de emprego. Tudo isso esta on hold na minha vida, até ela crescer um pouco mais.
Nada disso seria possível sem...
Meu marido, o Rick. Ele é o melhor pai do mundo, cuida da Sabrina ultra-bem (em muitas ocasiões ele tem mais paciência do que eu), dividimos todas as tarefas da casa e dos cuidados com  ela, igualmente. Isso sem falar o tanto que ele trabalha para tocar o próprio negócio e publicar a revista mensal  que ele faz, para a comunidade brasileira. Além disso,  é um ótimo cozinheiro!!!

E para recarregar as baterías?
Recarrego as baterías no final de semana apenas. Um dia eu tiro pra cuidar da casa e no outro fazemos algo com amigos. Temos uma turma maravilhosa e fazemos muitos programas juntos. Picnics na praia, churrasco, jantares. Ah, e o vinhozinho… A indústria de vinhos australiana é fantástica!!!!! Por sorte, queijos, vinhos e chocolates de qualidade aqui são bastante acessíveis.

Teu dia ideal...
Vivemos dois meses e meio perfeitos quando a minha sogra veio nos visitar em abril. Chegava em casa e tinha jantar pronto, roupas limpas e guardadas no armário, casa impecável. Eu podia sentar no sofá, relaxar e dedicar todo o meu tempo em casa, para brincar e curtir a minha filhota. Minha semana ideal é aquela em que a Sabrina dorme a noite inteira, sem interrupções. Os finais de semana no verão também são ideais. Ir à praia, passear e ver family movies juntos é uma delícia.

Qual é o maior desafio de criar a Sabrina longe do Brasil?
São muitos. Ultimamente minha mãe anda triste demais por não estar acompanhando o desenvolvimento da neta. Ela fala que chora de saudades de noite, beija as fotos do porta-retrato e ouvir isso, acaba comigo. Minhas irmãs também sentem muita falta, somos uma família super unida e babona. Curti muito meu sobrinho que agora tem 8 anos e minha mãe é parte presente da criação dele, passam um tempo enorme juntos. Me sinto bastante culpada por ter escolhido morar aqui do outro lado do mundo e por querer criá-la aqui. Mas procuro pensar nas oportunidades que ela terá como falar Inglês e Português fluentemente, ter passaporte australiano, ter acesso a escola pública de qualidade, segurança, ar puro, independência, estudo universitário acessível e por aí vai…

Outro desafio é administrar as doenças de infância dela aqui, sendo que não consigo confiar 100% nos médicos que nos atendem. Os diagnósticos e tratamentos que nos passam são sempre diferentes dos que minha mãe e irmã, ambas médicas, recomendam no Brasil!

E morar no Brasil, é uma opção?
Sim. Acho que a saudade vai apertar logo, logo. Mas não agora. Investimos muito dinheiro, suor, trabalho e coração no sonho de imigrar para a Austrália. As coisas foram muito, mas muito mais difíceis do que imaginamos e acho que ainda não estamos 100% adaptados.Queremos pelo menos ter o passaporte australiano (podemos pedir este ano já) antes de pensar em voltar.  

O que mudou na sua vida desde que você é mãe?
Tudo, o fato de não ser mais dona do meu tempo ou da minha vida, mas principalmente minha sensibilidade. Sempre fui super ligada em criança, fiz trabalho voluntário na Brinquedoteca da unidade de assistência do Hospital Albert Einstein em Paraisópolis (favela em Sampa) e meu primeiro trabalho foi numa pré-escola como professora assistente de dança. Porém, desde que virei mãe choro copiosamente ao ver imagens de crianças nos campos de refugiados da África, ao assistir a propaganda do World Vision (Sponsor a Child Today) na TV, ou ao ler notícias de pais doidos que mataram o bebê porque ele não parava de chorar. Não posso mais com esse tipo de coisas!  Me dói só de imaginar tamanha injustiça ou atrocidade contra uma alma tão pura, linda e ingênua como a de uma criança. Acho que a gente sem querer transporta-se e imagina o nosso filho passando por isso e a dor é simplesmente insuportável.

Uma alegria...
Só uma? São tantas, e acontecem todos os dias! Adoro quando a Sabrina brinca de pentear meu cabelo e fala: “You are beautiful like this, mummy. You are a princess.”. Ou quando ela vem me beijar e fazer beijinho de esquimó comigo, quando ela vem me buscar no trabalho e sai do carro pra me esperar e ao me ver vem correndo na minha direção com os braços abertos pra me abraçar. Adoro beijar a bochecha dela quando ela está dormindo.

6 comentários:

Daniella disse...

Só a foto ja diz tudo. Vanessa, não sabes o quanto estah me ajudando saber da rotina de outras working moms, na organização do dia e no aspecto psicológico também.
“Por mais que eu ame ser mãe mais do que tudo, eu adoro usar minha cabeça também para outras coisas. Não poderia ser uma full-time stay at home mum, acho que enlouqueceria… “
Assino embaixo!
Emocionante o depoimento sobre a alegria de ser mãe...
Obrigada working moms.

Vanessa Ribeiro disse...

Oi Dani,

Fico muito feliz que você tenha curtido essa série de posts. Eu ADORO entrevistar estas mães porque eu também aprendo e muito, maneiras diferentes e válidas de driblar meu dia a dia de mãe de primeira viagem :-)

A Tasla é uma batalhadora, amiga de muitos anos, achei ela ideal para inaugurar os posts de 2011!

Aguarde que logo virão mais!

Van

Ana disse...

OI Vane e Tuxa, amei a entevista...Sempre que tenho um tempinho, dou uma olhada no blog, assim, mesmo de longe podemos acompanhar o desenvolvimento do Maxfofo. Tuxa, cada vez mais fofa, amei sua entrevista, e é bom saber de vc , de sua rotina, que eu sei que não é fácil.. Eu sempre digo que ser mãe não é p qualquer uma não, vc tem que ser PHD em pediatria, psicologia, tem que ser mágica, contorcionista, animadora, barbie (qdo inventam de pentear nossos cabelos e quase arrancam a metade), é...não é fácil, mas qdo vemos aqueles rostinhos sorrindo p gente e dizendo que nos ama, vc vê que TUDO vale a pena...
UM SUPER BEIJO P VCS 2!!!

Raquel disse...

Vane e Tuxa... é emocionante vê-las ainda juntas nesta idade, mesmo que em espaços físicos diferentes, com a mesma sintonia, amizade e carinho de quando eram meninas. Parece que o tempo não passou, pelo menos para nós, mães, que acompanhamos o crescimento de vocês. Hoje, é vez de vocês percorrerem o mesmo caminho acompanhando suas lindas crianças, seus filhos amados, que nos encantam trazendo aquela emoção já vivida!!! Cada dificuldade do hoje, é um novo evento com o sabor de ser mãe: carinho, doação, amor genuíno próprio de nós mulheres, para a continuidade da espécie humana. Mesmo quando a bateria parece ter acabado, o olhar do filho torna-se suficiente para recarregá-la e nos colocar prontas para o que der e vier. Isso ajuda nossa transformação interior na parceria com o universo: ceder espaço para que uma nova vida crie raízes profundas para seu próprio desenvolvimento. No mundo atual, ser mãe é ir muito além dos nossos tempos, porque os pimpolhos, com o tanto de informação que recebem, cobram muito mais do que no passado e, para ter as respostas, é preciso "usar a cabeça também para outras coisas", caso contrário, você acaba virando “toco de enchente” nas margens do rio, deixando de seguir na correnteza da vida.
Adorei a entrevista! Muito interessante o bate papo, as formas como passam a experiência de vida para outras mamães que como vocês, distantes das famílias, têm a coragem de constituir, em conjunto com o marido, uma nova família impregnada de amor e detalhes, dando conta das diferenças culturais em todos os sentidos.
Parabéns!!! Como a vida é um grande palco onde se aprende representando, desejo muita “merda” e coragem para vocês, novas mamães, nesta etapa bonita e importante!!!
Um saco de beijos desta mãe e "tia", para vocês pegarem quando sentirem vontade!

Vanessa Ribeiro disse...

Oi Aninha, oi Chelzinha,

Obrigada pelos comentários carinhosos. Saudades deste tempo em Curitiba e muita alegria de ser mãe hoje em dia mesmo com todos os desafios que enfrentamos dia a dia.

Beijocas mãezocas :-)

Van

Carol P disse...

Vanessa,
Adorei o texto, e sei bem como eh o ritmo, pois quem mora fora do Brasil, normalmente tem outro estilo de vida.
Gostaria de te convidar para participar do Mother do dia lah no blog, caso vc aceite seria super bacana, se vc respon desse a sua propria entrevista. O que vc acha?
bj

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